O tricampeonato precisou sobreviver a uma final de sete gols

Final não costuma ser lugar para jogo aberto. Normalmente, o medo de errar pesa mais do que a vontade de atacar. Os espaços diminuem, cada dividida vale o dobro e qualquer gol parece suficiente para decidir uma temporada inteira.

No CDC Canarinho, em São Mateus, resolveram ignorar esse roteiro. A final regional do Futebol de Campo Masculino dos Jogos da Cidade entregou exatamente o contrário: sete gols, uma virada ainda no primeiro tempo, resposta imediata do adversário e um segundo tempo decidido por um jogador que saiu do banco para mudar completamente a história da partida.

Quando o árbitro apitou o fim do jogo, o placar marcava EC Vila Bela 4 x 3 Sapolândia FC. Mas quem acompanhou a decisão sabe que esse resultado demorou bastante para escolher um dono.


Final Regional | EC Vila Bela 4 x 3 Sapolândia FC

O Vila Bela mostrou desde os primeiros minutos que pretendia controlar a decisão. Com mais posse de bola e ocupando o campo de ataque, abriu o placar logo aos 1 minuto e 30 segundos. Magal 11 recebeu próximo à área e bateu firme, sem chances para John 1.

O início sugeria uma tarde tranquila para quem buscava o tricampeonato. Só que o final costuma mudar de rumo quando menos se espera.

Mesmo sem controlar as ações ofensivas, o Sapolândia encontrou nas bolas aéreas o caminho para crescer na partida. Aos 27 minutos, uma cobrança de escanteio terminou em gol contra de Alanzinho 6, deixando tudo igual.

Pouco depois, novamente pelo alto, Alex Matheus 8 apareceu dentro da área para completar a virada e colocar o Sapolândia na frente. O roteiro já tinha mudado completamente. Mas ainda havia tempo para mais um capítulo antes do intervalo.

Quase imediatamente, Clayton Robert aproveitou uma sobra dentro da área e finalizou com precisão para fazer 2 a 2, levando a decisão completamente aberta para o segundo tempo.

Na volta do intervalo, apareceu o personagem que acabaria marcando a final. Luís Felipe, o Xuxa, entrou em campo disposto a decidir.

Aos sete minutos, recebeu pelo meio e acertou um chute de longa distância no ângulo. Um daqueles gols que fazem a arquibancada levantar antes mesmo da bola encontrar a rede.

O golaço recolocou o Vila Bela em vantagem.

Dez minutos depois, aproveitou um erro na saída de bola, conduziu com tranquilidade e marcou mais uma vez, ampliando para 4 a 2.

O Sapolândia ainda mostrou que a decisão estava longe de terminar.

Aos 25 minutos, Iago Serafim recebeu um ótimo passe de John , invadiu a área e diminuiu para 4 a 3, devolvendo a emoção aos minutos finais e mantendo viva a esperança de levar a decisão para os pênaltis.

O empate, porém, não veio.

O Vila Bela administrou a vantagem até o apito final e confirmou a vitória por 4 a 3, conquistando o tricampeonato regional.

Um campeão, sete gols e uma decisão para lembrar

Quando a bola finalmente parou de rolar no CDC Canarinho, o Vila Bela comemorava mais um título regional. Mas a final deixou uma lembrança que vai além da taça.

Foi uma decisão que mudou de direção mais de uma vez, em que a vantagem nunca pareceu definitiva e em que um jogador que começou no banco terminou como protagonista da tarde.

Porque finais costumam ser lembradas pelos campeões. Mas algumas também ficam na memória pela história que contam até que alguém possa levantar a taça.